Genealogia
O que é?
A genealogia é a ciência que se ocupa de comprovar e reconstruir documentalmente os laços de parentesco existentes entre os membros de uma ou mais famílias.
A pesquisa genealógica, como qualquer outra instância científica que busque alcançar resultados certos e, como tais, verificáveis, realiza-se através da explicitação de um método, fundamentado no caso específico em conhecimentos interdisciplinares que, conjugando de forma sistemática experiências de caráter histórico-social, arquivístico e jurídico (direito de família), bem como sociolinguístico (onomástica) e de história da escrita (paleografia), fornecem as ferramentas adequadas para localizar, ler, compreender e contextualizar as fontes.
A pesquisa genealógica prevê uma metodologia, dividida em quatro etapas, que deve ser seguida de forma sistemática. Em primeiro lugar, adquirem-se documentos que fornecem dados de caráter genealógico. Em seguida, extraem-se os dados genealógicos de interesse e procede-se ao seu processamento. Por fim, elabora-se um texto no qual são ilustradas as metodologias adotadas durante as pesquisas e as fontes consultadas, incluindo também uma tabela genealógica na qual são reproduzidos os resultados obtidos.
Os registros do Estado Civil
O registro de nascimentos, casamentos e óbitos pelos oficiais do estado civil teve início, para o Reino de Nápoles, em 1809. Na Sicília, esses registros começaram em 1820. Esses atos eram lavrados em duas vias, uma das quais devia ser enviada anualmente à secretaria do tribunal competente do território. Portanto, hoje é possível encontrar esses registros tanto nos municípios (Comuni) quanto nos Arquivos do Estado (Archivi di Stato), que conservam as cópias custodiadas nos tribunais.
Como a reconstrução de uma árvore genealógica procede de trás para frente, começando pelos atuais membros da família, é claro que a consulta aos registros de estado civil constitui a primeira fase da pesquisa.
Os arquivos paroquiais
Pela antiguidade dos documentos que conservam, os arquivos paroquiais representam a principal fonte de qualquer pesquisa genealógica. Em 1563, o Concílio de Trento estabeleceu para todas as paróquias a obrigatoriedade da compilação dos registros de batismo, casamento e óbito. Em geral, os arquivos paroquiais foram conservados com diligência, mas por vezes eventos bélicos, incêndios e calamidades naturais do passado condicionam o seu atual estado de conservação.
Fontes militares
Listas de Alistamento Militar (Liste di Leva):
São listas nominativas dos cidadãos do sexo masculino que, por idade, estão sujeitos à obrigação do serviço militar (geralmente dos 17 aos 45 anos). Trata-se de registros compilados pelos municípios e enviados ao setor de alistamento competente, nos quais eram anotados os dados cadastrais dos jovens convocados para o serviço militar, divididos por ano de nascimento.
As informações contidas incluem: nome e sobrenome, filiação (nome do pai e da mãe), data e local de nascimento, domicílio, profissão, dados antropométricos e, a cargo da junta militar, o resultado do exame médico. Como nem sempre o município de residência coincidia com o município de nascimento, para realizar a pesquisa é necessário saber exatamente onde o militar residia no momento da convocação.
Fichas Matriculares ou Registros Matriculares (Fogli matricolari / ruoli matricolari):
São documentos pessoais que registram a história militar de um indivíduo. Contêm informações como data e local de nascimento, dados relativos à convocação às armas, corpo militar de designação, patente alcançada, data de baixa e outros detalhes sobre a carreira militar.
Atos notariais / cartoriais
A documentação notarial conservada nos Arquivos do Estado e Cartórios de Notas é muito útil para a reconstrução de uma genealogia. Por vezes trata-se de documentos muito mais antigos do que os eclesiásticos, permitindo assim reconstruir a história familiar ainda mais longe no tempo. De fato, alguns atos, como testamentos ou contratos de dote, são ricos em informações genealógicas. Além disso, a consulta dos atos notariais permite-nos compreender a condição social e econômica da família.
Os "Catasti Onciari" e os "Riveli di beni ed anime"
Instituídos em 1741 pelo Rei Carlos III de Bourbon, os "catasti onciari" eram verdadeiros censos realizados para fins fiscais. São documentos de extrema importância na reconstrução da árvore genealógica de uma família, pois representam uma preciosa fonte de informações não apenas sobre a sua condição socioeconômica, mas também sobre a sua composição. Para cada família, além da descrição e valor dos bens possuídos, são informados o nome do chefe da família, idade e procedência, por vezes a indicação de filiação, bem como os nomes e idades da esposa, dos filhos e de eventuais residentes na mesma casa.
Na Sicília, o equivalente aos "catasti onciari" é representado pelos "Riveli di beni ed anime". Os numerosos registros abrangem quase todos os municípios sicilianos e cobrem o período compreendido entre os séculos XVI e XVIII. Os "Riveli di beni ed anime" são, portanto, uma fonte insubstituível de pesquisa para complementar a realizada nos arquivos paroquiais, ou mesmo em sua substituição, quando os arquivos paroquiais forem incompletos ou inexistentes.
Paleografia
Na genealogia, a paleografia é fundamental para ler e interpretar documentos antigos, como certidões de nascimento, casamento e óbito, que frequentemente foram escritos à mão e em formas de escrita hoje fora de uso. A paleografia, portanto, permite decifrar textos antigos, identificar sua época e seu contexto histórico, e autenticar documentos.